Palavras ao vento (versão 3 da manhã).
Da séria série "sonhos mutcho locos", esse é o mais louco dos últimos dias: imagina só o João Gilberto e um quarteto de cordas, com o formalismo que uma situação dessas requereria. Pois bem, você tem três músicas pra que esse pessoal toque pra você, você escolhe. Quais seriam as suas? As minhas, pela ordem: "Take on me", do A-ha (pelo potencial "foreign sounds" da coisa toda, somente), "Nega Jurema" dos Raimundos, por que só a possibilidade de ver o João Gilberto cantando bem baixinho e cadenciado a frase "nega Jurema vem descendo a ladeira trazendo na sua sacola um saco de maria-tonteira" me mata de rir, e pra acabar "Emaconhada" do Akundum, com coral de backing vocals no refrão e na parte do "o que é que eu faço, seu doutor...", pra fazer uma coisa quase temática. Poxa, é pedir demais? É, eu sei, mas o sonho é meu... enfim.
Notas não relacionadas:
Voltando da casa da digníssima agora, ouvi "You've Lost That Lovin' Feeling", com o Joe Cocker, e me lembrei da cena possivelmente de maior tensão homo-erótica da história do cinema: a cena de Top Gun em que o Tom Cruise e o Val Kilmer cantam essa música juntos. Eles se envolvem tanto na coisa toda que esquecem por um brevíssimo momento que estão brigando por uma mulher... mais estranho que isso, só a intimidade crescente entre Daniel Larusso e o sr. Miyagi na série Karate Kid... estou tagarelando, ok.
Vi um segundo da Casa dos Artistas do tio Sílvio. Meu Deus. Quero dizer, meu Deus. Eles estavam sem as camisetas com os nomes, e eu não sabia o nome de ninguém
Vi um trechinho da novela das oito, e tava a Avril Lavigne dos pobres (a filha da Renata Sorrah na novela) dormindo com um cara lá... eu só pensei que eles podiam jogar um ossinho pra mim e colocar alguma música da Avril Lavigne mesmo... quando a digníssima começa a declamar "Happy Ending" do meu lado. Não, cês tinham que estar lá...
A Mari Alexandre tava no Jô, patinando... e era o termo preciso, parecia uma pata patinando, se é que patas patinam.
Ah, dois meses de blog... mais gente visitando, mas estou meio decepcionado comigo, achei que teria mais a dizer. Muito branco, muito post descartável, pouco esporte ainda... nada sobre a NFL (ei, ano bom para os Jags!), nada sobre a tradição esportiva mais bonita do mundo (chama-se Haka, pretendo postar sobre...), mas tenho sempre a desculpa de estar trabalhando que nem um condenado. Grato, claro, a você, tolerante leitor, que continua dando um cheguinho por aqui mesmo apesar disso...
Eu sei que estou esquecendo alguma coisa, então, de repente pode ser que eu acorde suando frio, venha pra cá e poste. Troço viciante, isso.
Escrito por Double Down Trent às 03h34
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O gênio da matemática básica.
Ontem jogo chaaaaaato da seleção brasileira, empate em 0x0 em que, como diz meu pai, zero a zero não foi placar, foi nota... mas as transmissões da Globo estão ficando mais interessantes do ponto de vista da comédia involuntária. Chegou a hora em que os comentaristas (Falcão e Casagrande, este cada vez mais preciso e mais "dedo na ferida", na medida em que a transmissão global permite, claro) estão abertamente sendo condescendentes com o Galvão... é quase como se eles tivessem o cara em conta de um tio véio que assiste o jogo junto e do qual não dá pra se livrar. E o Galvão, ao final do jogo, manda essa, DE NOVO (ele já fez exatamente a mesma coisa numa final de brasileiro): após perguntar três vezes quando o juiz daria de acréscimo, e após ser informado pela terceira vez que seriam três minutos pelos dois repórteres de campo (aí, entra a imagem do auxiliar erguendo a plaqueta com o número 3, vermelho e garrafal), decreta o tio véio: "vamos a 49".
E meu irmão previu, disse ironizando antes do cara o "vamos a 49". Pano rápido.
Escrito por Double Down Trent às 10h29
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Um tapa na cara.
Bom, eu gosto de estar em sintonia com o que está acontecendo no mundo lá fora, mas hoje vi The Corporation, um documentário canadense que está passando na HBO, e me senti completamente desinformado. Meu histórico prévio quanto ao assunto: eu vi acho que todos os documentários do Michael Moore, e via antes o (acho que era semanal) The Awful Truth dele também, que tratava basicamente do cidadão incomodando corporações; li e tenho o IBM e o Holocausto, livro do Edwin Black que coloca factualmente que a IBM teve papel fundamental no Holocausto nazista da Segunda Grande Guerra; e estou inteirado de como as corporações se valem da mão de obra barata de países de terceiro mundo pra fins meramente de lucro (pra quem quiser saber mais, é só googlizar o termo sweatshop). Mas o que o filme me disse que eu não sabia me veio como um safanão na cara.
As coisas que grandemente me incomodaram foram, primeiro, o relato de como, legalmente, nos EUA, se "progrediu" em dois fronts: as empresas se valeram da 14ª Emenda pra serem consideradas pessoas também para fins de proteção dos direitos constitucionais básicos inerentes à pessoas físicas e, em batalhas judiciais sucessivas nas cortes de apelações, agora qualquer um pode patentear qualquer coisa viva, com exceção de um ser humano já formado. Fiquei estupidificado: agora, enquanto eu digito, pesquisadores correm o mundo à procura de sequências genéticas para patentear, e alguns genes específicos, como o da fibrose cística, ao que consta já foram patenteados lá.
E também eu não sabia ainda que o leite que eu bebo pode estar irremediavelmente aditivado com produtos químicos que podem me causar câncer no futuro. Não vou mais me estender (até por que a onda do momento é processar e tirar blog do ar, e eu não estou aqui pra ser o Cristo da história e citar corporações gigantescas pelo nome...), quem quiser e souber inglês pode ir em www.thecorporation.tv. Quem não souber inglês ou quiser saber mais de qualquer forma, me manda o e-mail e pergunta o que quiser saber, se eu não souber indico quam possa esclarecer... ou mesmo quem tiver HBO, só checar a programação e dar uma olhada. Bom filme, embora em determinados momentos um pouquinho panfletário, vale as quase duas horas e meia.
Escrito por Double Down Trent às 14h21
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