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O dia em que me casei (parte 1) – O pré-casório.
Sábado, 18 de dezembro de 2004 - o dia em que me casei. CLARO que esta seria a oportunidade perfeita pra se quebrar a 1ª regra deste blog (não falar de si mesmo de maneira masturbatória...), mas é que valeu a pena DEMAIS. Resolvi colocar em forma de diário, desde a meia noite, conforma minha lembrança de momento...
00:00 – Nesta hora aproximadamente eu estava comprando algo para brindar após o casório... recém saído da casa da noiva (onde estava em um churrasquinho com o pessoal da Tati, a Dani e o Edílson e o pessoal do Rio, amigos da família da Tati, o Paulo, a Ana Beatriz e o nosso “padrinho substituto”, o Gustavo, filho deles), começando a ficar nervoso. Andei a milha extra aqui, em vez de comprar uma champagne clássica, francesa ou italiana, resolvi optar por cava espanhola. Recomendo amplamente...
01:00 – Já na nossa casa, sozinho. A noite mais longa da minha vida, tranqüilamente. Demorei três horas pra dormir, e a cama parecia gigantesca e deserta. Boa noite pra se saber por que se vai casar... digamos que não tive nenhuma dúvida sobre se queria ou não casar, mas se houvesse alguma, a última noite sozinho na casa em que já se, hm, coabita maritalmente, mataria qualquer uma que existisse. Dormi pouco e mal, no sofá da sala.
08:40 – Acordei, pra ir pra casa de meus pais me arrumar... super rápido, nove e meia já estava pronto (casório só as 11). Nos enrolamos até as 10:20... saímos de casa, com um trânsito estranho pra sábado de manhã... demorou até eu perceber que aquele trânsito era do pessoal indo pro meu casamento, mesmo este pessoal todo buzinando descontroladamente pra mim. É oficial: a pessoa fica alterada no dia mesmo quando a coisa toda está bem resolvida.
10:00 – O meu melhor amigo e padrinho me liga dizendo que está viajando de volta pra Curitiba, passando mal e não sabe se chegará a tempo. Me bate uma luz e eu falo pra Tati de usar o Gustavo de padrinho “reserva”. Ele aceita, e isso sai melhor que a encomenda.
10:45 – Estou na igreja e começo a ficar ansioso... Graças a uma das três grandes decisões nossas no casório (“não ter cerimonial”), quem chegava me cumprimentava, me dava um abraço, me dizia algo bacana no ouvido... e eu estava ansioso, mas ainda não estava “branco”. Isso viria dentro em pouco.
Escrito por Double Down Trent às 11h40
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O dia em que me casei (parte 2) – A celebração.
11:00 – Chega a noiva. Um ponto de honra pra gente era que a coisa começasse na hora, até por que seria divertidíssimo ver o pessoal que chegaria atrasado. Missão cumprida.
11:05 – Entra a Tati. Linda, linda, linda, vestido manteiga, e brilhando de feliz. Como eu estava me sentindo também, na verdade. Aí começa o rito, que é o da Igreja Ortodoxa Ucraniana, fé da Tati e da família dela. O meu pessoal é católico, e tem diferenças no rito... O rito ucraniano tem coisas que fazem do casamento um ritual diferente e que eu não conhecia... claro, isso fez parte da segunda da três grandes decisões: “fugir da máfia do casamento” (da qual, infelizmente, a Igreja Católica faz parte). Saiu melhor que a encomenda.
11:10 até 11:50 – Esse foi o tempo do nosso casamento, uns 40 minutos. Pela ordem:
- O Bispo Geremias nos recebeu na porta da Igreja, benzeu as alianças, nos perguntou se queríamos casar e entramos, nós e nossos três casais de padrinhos. Não foi de propósito ser ímpar, mas já que estamos acabando com a cerimônia da cerimônia, três casais de padrinhos do casal, seis pessoas que a gente adora, todos decisões fáceis. E mesmo o Gustavo de padrinho reserva, que eu tinha conhecido na noite anterior, selou uma amizade antiga entre as famílias da Tati e do Paulo e lançou a nossa, nova em folha, com esse pessoal. Decisão felicíssima, estou orgulhoso dela até agora.
- Vamos andando até o altar. Na cerimônia, somos coroados, atados um ao outro pela mão com uma toalha típica ucraniana, damos voltas em redor do altar com os nossos padrinhos... uma feira livre. A missa é toda cantada, uma beleza. Eu estava branco.
- Os pontos de comédia involuntária, os que eu vi: primeiro, o pessoal chegando atrasado... e não tinha como se esconder, na igreja era todo mundo em pé. Segundo, a “interatividade” de cerimônia que, por conta do rito, tem a gente se mexendo direto, sendo coroado, amarrado e quetais. Terceiro, o fato de que um dos padres do coral se parecer muito, muito MESMO, com o Oswaldo Montenegro, o que ocasionou algumas das melhores risadas da recepção depois... e quarto, o fato de que, na saída da Igreja, estão chegando de carro três amigos meus! A gente se vê na recepção, moçada... ;o)
Escrito por Double Down Trent às 11h40
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O dia em que me casei (parte 3) – A recepção.
12:15 – Saímos rapidinho da Igreja, felizes, casados e eu dirigindo o meu carro, com a Tati do meu lado... só de birra, fiz questão de ninguém me levar nem trazer. Fomos os primeiros a chegar na recepção, esperamos 5 min no carro, e quando saímos... uma das grandes surpresas boas de não usar cerimonial: as pessoas que estavam chegando começaram a nos cumprimentar no estacionamento do restaurante mesmo, não nos deixaram chegar na área que seria destinada a isso! E fomos, como no processo de casar todo, cobertos de carinho.
12:40 – Hora das fotos. Aí entrou a terceira decisão feliz da gente (“não fazer filmagem”). Achamos desde o começo que fazer filmagem tornaria o que deveria ser um evento espontâneo num “evento filmado”, onde as pessoas perderiam a naturalidade. Ao invés disso, contatei um grande amigo meu de infância, que hoje tem uma empresa de foto e vídeo bem conceituada aqui em Curitiba... e o cara me mandou um fotógrafo bem bacana, na verdade o primeiro fotógrafo que ele contratou há uns 15 anos, quando o conheci. Então, estávamos em boas mãos.
13:00 – Entramos para almoçar, um brinde rápido e finalmente eu e a Tati paramos para respirar. Agora, a parte legal, curtir os amigos.
Daí até as 15:30, hora em que fomos embora, tudo certinho, tocado com profissionalismo pelo pessoal do restaurante. Quando eles souberam que não tinha cerimonial, o olho do gerente brilhou. Só posso imaginar o quanto esse pessoal deve agüentar de gente que não manja nada do trabalho de servir as pessoas e é contratada pra organizar a coisa e tem de mostrar serviço. Tudo delicioso, conforme planejado. Tiramos fotos com todo mundo, conversamos com quase todo mundo, os músicos que contratamos (um senhor e uma senhora casados entre si, teclado ele, saxofone ela) uma delícia, adequadíssimos. Tudo belo, bacana, relaxado, tranqüilo. Única coisa que não saiu conforme o “planejado”: as amigas da dança da Tati “pegaram ela no cantinho” e fizeram ela jogar o buquê, coisa que ela não pretendia fazer até o momento em que, hm, pegaram ela no cantinho. ;o)
15:30 – Fomos embora, para a nossa casa (dado que a Lua de Mel será só em Janeiro, por exigência do trabalho). Aí fomos para casa, e minha esposa se deu um “boa-noite Cinderela”... acho que ela vai falar a respeito no blog dela, então quem quiser saber, vai lá, cobrem a moça...
Escrito por Double Down Trent às 11h39
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O dia em que me casei (parte 4) – O pós-casório.
Não poderíamos estar mais felizes, na verdade. Primeiro, com a cerimônia: a simbologia do rito é belíssima. No sermão, o Bispo falou sobre a necessidade de se ter resistência física e moral para se fazer o compromisso do casamento ser uma coisa de todo dia. Parecia que ele estava com o ouvido na nossa sala, quando eu e a Tati conversamos antes do casamento. E, mais ainda, o Padre Milos, conselheiro espiritual da família da Tati e amigo pessoal da família, co-celebrou, chorando a cerimônia inteira... em um momento, ele deu a mão pra Tati no meio do casamento... e, quando os padrinhos foram chamados para assinar o livro, ele nos pegou e nos deu os três minutos de conselhos mais preciosos que um noivo e uma noiva podem receber. Eu prometi que não ia chorar, mas ali quase desmontei.
Mais ainda, ficamos felizes com as decisões que tomamos, sobre o rumo que a gente queria que a cerimônia tivesse, sobre quem a gente queria chamar. Tive a felicidade de ver na igreja somente amigos, meus e da Tati e de nossas famílias. Tive a felicidade de ver alegria nos olhos deles, talvez por ver na gente o quanto a gente se gosta e se respeita, o quanto de conexão verdadeira existe entre nós. E tive, estou tendo até agora, a felicidade de saber que todo mundo adorou tudo, que após os noivos irem embora “fugidos” as pessoas não queria esvaziar o restaurante... how cool is that?
E, principalmente, estou feliz, radiante, exultante, por que começou o resto de minha vida. Casei-me com a mulher de minha vida, com uma pessoa maravilhosa, brilhante, linda, radiosa. E ela me escolheu, e eu a escolhi, e quando a gente sabe que o resto da vida da gente tem de ser com determinada pessoa ,a gente quer que o resto da vida da gente comece o mais rápido possível.
O resto da minha vida começou. Estou confiante demais, tenho a companhia certa para a caminhada. Antes, achava o fim do mundo ver em carros aquele adesivo com “Eu amo a minha esposa”. Agora, eu posso entender esse pessoal, tranqüilamente.
Escrito por Double Down Trent às 11h38
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O dia em que me casei (parte 5) – Agradecimentos diferenciados.
Bom, vou aproveitar que estou com o ferro quente mesmo... Algumas pessoas foram tão fantásticas que merecem um agradecimento público. E terão, sem ordem particular senão a ordem em que me lembro.
Primeiro, os pais da gente... os pais da Tati que me confiaram a primogênita deles, e os meus que foram extremamente compreensivos e gentis com os dois pombinhos que ficaram arrulhando na sala e enchendo a paciência deles por um bom tempo. Especialmente minha mãe, que poderia tranqüilamente viver de montar casa pra madames sem tempo.
Depois, tenho que agradecer às pessoas que nos presentearam, compareceram, deram retorno pra gente, enfim, a todos que foram gentis conosco, e foram muitos. Não nos passou desapercebido que quem nos presenteou foi além e acima do “cumprimento do dever”, e por conta de vocês, a nossa casa está montada e ao dispor de vocês mesmo. Nós os amamos, indistintamente... ou melhor, tem algumas distinções sim, que eu tenho de fazer, desculpem aí:
Tenho que dizer que eu não acreditava em “blog stars” e em unanimidades de Internet. E, se existe alguma unanimidade na Internet, é a Fal. Minha amiga, que eu nem conheço pessoalmente, um BEIJO gigantesco. Você não precisava, e SABE que não precisava, e mesmo assim foi além, tomou de seu tempo e de seus recursos pra nos fazer mais felizes. Agora dá pra entender por que existem unanimidades na Net: quem poderia não gostar da Fal, meu Deus?
Tenho que dizer também que o Paulo e a Ana Beatriz do Rio foram gentis demais em “emprestar” o filho deles pra ser nosso padrinho, e que o Gustavo foi o mais querido padrinho de última hora que um casal poderia ter. Tenho que dizer também que a Kathleen não existe, que o que esta moça faz pra Tati e pra mim não se faz pra irmãos... mas ela e a Tati são irmãs de fato, se não são de sangue. Meu irmão e a Ale, irmã da Tati, cês não existem, brigado brigado e brigado.
E, last but not least, Dani e Edilson, que tiveram a delicadeza de se abalar lá da SP pra ver se a gente iria mesmo fazer isto. Caríssimos, nem sei como agradecer a vocês... mas vou tentar, meio de pé quebrado, assim, sem jeito: vocês são preciosidades, amigos que não se acha na esquina. Nossa casa está aberta, nós adoramos ter sua companhia no nosso casório e adoraremos ter mais disso.
E, claro, como eu acredito num “Deus destino” , que coloca as pessoas na frente umas das outras e diz para elas: “se virem”, só posso agradecer, por que Ele pôs em meu caminho uma de Suas mais preciosas jóias, e me confiou seu cuidado. Só posso ser totalmente grato, a todos e por tudo, pois todos têm sido tão bons para mim.
Escrito por Double Down Trent às 11h37
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